
O 8 de novembro lembra o dia, em 1895, em que Wilhelm Conrad Röntgen observou pela primeira vez os raios X. A data é celebrada como Dia Mundial da Radiologia, e na odontologia ela serve de pretexto para revisar um tema que está presente em quase todos os consultórios: como usar a radiação com o máximo de benefício e o mínimo de risco. A proteção radiológica na odontologia se apoia em princípios simples, mas que só funcionam quando viram rotina.
A proteção radiológica, em qualquer área da saúde, é construída sobre três ideias:
As doses de uma radiografia intraoral são baixas quando comparadas a outros exames de imagem. Mesmo assim, o efeito da radiação é cumulativo ao longo da vida, e crianças são mais sensíveis do que adultos. Por isso, os princípios valem para qualquer exame, por menor que seja.
Na prática, justificar significa avaliar o paciente antes de pedir a imagem. Radiografias de rotina em intervalos fixos, sem considerar o risco individual de cárie ou doença periodontal, contrariam esse princípio. Consultar exames recentes feitos em outro serviço também evita repetições desnecessárias, e é um bom motivo para pedir ao paciente que traga imagens anteriores.
A otimização passa por escolhas técnicas e de equipamento:
O uso de avental plumbífero e de protetor de tireoide deve seguir as orientações da norma sanitária e o tipo de exame. O protetor de tireoide é especialmente relevante em crianças, desde que não interfira na área que precisa ser registrada.
Quem opera o aparelho várias vezes ao dia precisa de cuidados próprios:
Se o paciente precisa de ajuda para ficar imóvel, quem o apoia deve ser um acompanhante, e não um membro da equipe que se expõe repetidamente.
No Brasil, os requisitos sanitários para serviços de radiologia diagnóstica estão na Resolução RDC nº 611, de 2022, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, complementada por instruções normativas específicas para radiologia odontológica intraoral e extraoral. Entre as exigências estão os testes de controle de qualidade do equipamento, o levantamento radiométrico da sala e a verificação de vazamento de radiação no cabeçote.
Para a gestão do consultório, isso se traduz em uma agenda de manutenção preventiva, contrato com profissional habilitado para os testes e arquivo organizado dos laudos. Esses documentos costumam ser solicitados em fiscalizações e renovações de licença sanitária.
Explicar ao paciente por que o exame é necessário, como a dose é controlada e quais proteções estão sendo usadas reduz a ansiedade e fortalece a confiança. Gestantes, pais de crianças pequenas e pacientes que fazem muitos exames costumam fazer perguntas, e a resposta clara faz parte do cuidado.
Radiografia odontológica faz mal à saúde? As doses de radiografias intraorais são baixas, mas a radiação se acumula ao longo da vida. Por isso, o exame deve ser feito apenas quando justificado e com a menor dose possível.
Gestante pode fazer radiografia no dentista? Quando há indicação clínica, o exame pode ser realizado com os cuidados de proteção adequados. A decisão deve considerar a real necessidade e, se possível, o adiamento de exames não urgentes.
Por que o dentista sai da sala durante o raio X? Porque o profissional faz muitos exames por dia, e a proteção da equipe exige distância do feixe ou barreira física. Para o paciente, a exposição é pontual e controlada.